Nascimento: 28 de abril de 1865, Campanha, Minas Gerais
Falecimento: 8 de maio de 1950, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Vital Brazil Mineiro da Campanha, é considerado um dos grandes nomes na história da ciência. Médico e sanitarista, Vital Brazil foi um dos primeiros pesquisadores de toxinologia nas Américas e de medicina experimental no Brasil.
Na virada dos séculos XIX e XX, liderou frentes de combate a diversas epidemias que eclodiram no país, como a febre amarela, cólera, varíola e peste bubônica. As pesquisas assinadas por ele são pioneiras na produção dos soros específicos contra venenos de animais peçonhentos (serpentes, escorpiões e aranhas). Até hoje, salvam milhares de vidas. Tais pesquisas romperam paradigmas e contribuíram à inovação de conceitos e práticas nas ciências médicas e biológicas. Nenhum outro método de neutralização da peçonha é mais eficaz do que o criado por Vital Brazil, em 1898.
Em 1917, quando recebeu a patente do soro antiofídico, decidiu imediatamente doá-la ao governo brasileiro. Preocupava-se principalmente com a Saúde Pública. Dentre os numerosos e determinantes legados deixados por ele, destacam-se a criação do Instituto Butantan (fundado oficialmente em 1901, em São Paulo) e do Instituto Vital Brazil (fundado em 1919, em Niterói). Ambas nstituições tornaram-se referenciais de excelência na formação de pesquisadores, na produção de medicamentos e na divulgação e popularização das ciências no país.
Vital Brazil contraiu febre amarela em dois momentos. Na segunda vez, em 1893, estava em missão sanitária no interior de São Paulo, na cidade de Belém do Descalvado. Sua esposa e sua mãe, apreensivas com os constantes riscos que Vital enfrentava nos combates às epidemias, convenceram-no a aceitar o convite para clinicar em Botucatu. Na época, aquela era a mais próspera localidade da região do centro-oeste paulista. Em 1º de julho de 1897, Vital Brazil ingressa no Instituto Bacteriológico, instituição que viu ser fundada em 1892, quando já trabalhava para o Serviço Sanitário de São Paulo. Por pouco mais de dois anos, a partir desta data, integrou a pequena equipe de médicos que atuava sob a orientação de Adolfo Lutz (1855-1940). Após diagnosticar, combater e contrair a peste bubônica na cidade de Santos, entre outubro e novembro de 1899, Vital Brazil retorna ao trabalho no Instituto Bacteriológico. Em dezembro deste mesmo ano, inicia a adaptação de um velho rancho na então distante Fazenda Butantan, situada a 9 km da capital paulista, com a responsabilidade de montar e organizar ali um laboratório que servisse à produção de soro antipestoso. Nesta época, Vital Brazil já possuía estudos avançados sobre o problema do ofidismo e tratamento soroterápico.
Vital Brazil fundou e dirigiu o Instituto Butantan por 20 anos, de 1899 a 1919, e foi convidado pelo Governo do Estado de São Paulo a retornar à direção desta instituição, por mais 4 anos, em 1924. Criou, cofundou e colaborou com diversas revistas científicas, como a Revista Médica de São Paulo, e escreveu dois livros: A Defesa contra o Ophidismo, em 1911, reeditado e ampliado em 1914, somente em francês, e Memória Histórica do Instituto Butantan, em 1941. Publicou dezenas de artigos científicos, em diferentes línguas e periódicos. Por meio de alguns testemunhos e citações de cientistas e eminentes personalidades mundiais pode-se chegar a uma avaliação, mesmo que breve, sobre a contribuição de Vital Brazil para a Ciência e para a Medicina, assim como sobre o papel que desempenhou na História.
Aos 54 anos de idade, em 1919, viúvo há seis anos, Vital Brazil já havia alcançado reconhecimento mundial pelo conjunto da obra acerca da soroterapia específica aplicada aos envenenamentos por animais peçonhentos. Além disso, havia contribuído enormemente a diversos campos ligados à saúde pública do país. O cientista faleceu de uremia (concentração abusiva de ureia no sangue) no início da manhã do dia 8 de maio de 1950, em sua residência, no Rio de Janeiro.