Origens da Academia Ribeirãopretana de Medicina - ARPM.

 
 
Fabio José Gonçalves da Luz, membro titular da Academia Ribeirãopretana de Medicina, cadeira Nº 1
 
O Brasil começa no litoral. Sua grandeza demora a caminhar para o interior, o que feito, viria a torná-lo continental. O litoral extenso e o interior pouco conhecido podem ter levado a uma postergação na interiorização. Mas a bússola brasileira apontava para este destino.  Não veio primeiro a cultura, veio primeiro a lide econômica. E, da economia, uma sociedade, novos desejos e necessidades, ao cabo um novo horizonte.
 A necessidade de estarem juntos na defesa e no desenvolvimento levou à criação de instituições.  Estas não só fomentam o desenvolvimento cultural como os preservam. Descobrir as mesmas coisas a cada geração, é um desperdício de recursos econômicos, e vitais.
As associações na forma de sodalícios  de letras se apresentam como precursores de outras modalidades. A primeira academia de Letras, a francesa data de 1635 pelo Cardeal Richelieu. A nossa mais importante das Letras data de 1897 , no Rio de Janeiro, capital, porém a mais antiga é a cearense de 1894. No campo da Medicina, a primeira a ter se notícia foi criada na Alemanha em 1652; no Brasil chega como sociedade de Medicina do Rio de Janeiro em 1829, posteriormente, 1835 é chamada de Academia Imperial e por fim Academia Nacional de Medicina.
Em São Paulo, capital, de 1889 a 1891 funciona a Sociedade Médico-Cirúrgica de São Paulo. Em 1895 é fundada a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, a qual em 1954 assume-se como Academia, posto que de acesso restrito para se tornar membro.
Sempre nas capitais. Eis que em 2025, Ribeirão Preto, rompe este paradigma e na sua melhor tradição, inova e funda a primeira Academia de Medicina fora de uma capital. Ela que não teve a primazia de ter a primeira escola médica do interior, fundação que coube a Faculdade de Medicina de Sorocaba, PUC SP, 1950, torna-se sede da Academia Ribeirãopretana de Medicina, fundada no dia do médico, 18  de Outubro de 2025.
Opta escrever-se como Ribeirãopretana, na forma preconizada por Amini Boainain Hauy, titular da ARL, Academia Ribeirãopretana de Letras, autora do livro Ribeirãopretano, ribeirão-pretano, ribeirão-pretense, ribeiropretano, ribeiro-pretano, riberopretano? Ribeirão Preto, Editora Funpec, 2003.
Sua fundação se dá de forma consensual entre médicos com gabarito ímpar, na assistência, na docência, no tribunal de ética, na pesquisa  e liderança de entidades correlatas e de interesse de médicos com o  objetivo, sem horizonte próximo, de: “ promover e estimular o estudo e o progresso da Medicina e das ciências afins... opinar sobre todas as questões que envolvam direta ou indiretamente o exercício da profissão médica... colaborar com os Poderes Públicos no estudo de questões de caráter médico ou médico-social... preservar a história da medicina na nossa cidade.” Tarefas amplas, dignas e necessárias.
Entidade sem fins lucrativos, sem objetivo associativo ou recreacional, firmemente fundada na ética, exige de seus membros, uma vida e uma reputação compatíveis com os ideais de melhor estirpe para a humanidade e para os cuidadores da vida da humanidade. Seus fundadores atenderam ao chamado da história e nas terras do café e da medicina, lançaram pedra fundamental para a  neoacademia. A Academia merecia nascer em boa terra. A boa terra merece boas instituições.
Assim é a origem da ARPM, sem vaidade, sem rivalidades e com objetivos agregadores e  de preservação da boa prática médica e da boa memória da Medicina e de seus médicos, com membros vitalícios, em número restrito e de acesso seletivo.